Nem toda curva é um erro. Às vezes, é justamente o que revela o verdadeiro caminho.

O fato de não seguir uma linha reta pode nos dar a ilusão de que estamos errando na caminhada.

Desde jovens, aprendemos um roteiro já conhecido pela humanidade: estudar, trabalhar, casar, ter filhos… e pronto. Esse era o caminho que eu também perseguia.

Na minha primeira união, conquistei exatamente isso: formação concluída, emprego que gostava, apartamento pequeno e aconchegante, casa montada, minha filha ao lado.

Mas, em algum momento, veio a pergunta inevitável:
A vida é só isso? Agora é manter… e acabou?

Uma tristeza começou a se instalar, sem nome, sem causa evidente.

Me separei. Mudei de cidade. Mas a busca por sentido da existência nunca deixou de me acompanhar.

Anos depois, já casada novamente, trabalhando em hotelaria, com a família crescendo. Agora mais madura, ciente de que estava com o amor da minha vida e da importância de crescer como pessoa.

Mas… novamente a inquietação:
E agora?

Foi então que me aproximei da Nova Era: terapias alternativas, realidades sutis, outras dimensões. Sempre havia algo a descobrir, algo novo a experimentar.

Me envolvi profundamente. Tornei-me terapeuta holística, doula, fiz diversos cursos, aprendi técnicas. Por mais de dez anos, mergulhei nesse universo.

Recebia depoimentos emocionados. Razões para permanecer.

Mas, ainda assim, o vazio voltava.
A tristeza, a frustração. Um choro que perguntava:
O que ainda falta?

Passei por sucessivos ciclos de desconstrução e reconstrução. E me perguntava:
Será que erro tanto assim?

Com o tempo, compreendi: não era erro — era caminho.

A minha história, com suas voltas e reviravoltas, era o meu modo único de buscar a verdade.
Uma jornada pessoal, feita de escolhas dentro dos limites da realidade possível.

Assumir a responsabilidade pelas próprias decisões, com a maturidade (ou imaturidade) de cada etapa, nos liberta.

Vamos ganhando consciência. Vamos compreendendo. E o sentido começa a se revelar.

A vida não se encontra no vazio, mas no sentido.

A pergunta mais transformadora não é por que certas dores aconteceram, mas para quê.
O que posso aprender com isso?
O que posso fazer com isso?

Hoje compreendo que cada fase da minha vida — mesmo as mais confusas ou distantes da linha reta — formaram um tecido único, cheio de aprendizados.

E é justamente esse caminho, cheio de curvas, que me trouxe até aqui:
mais consciente, mais inteira, mais próxima da verdade que procuro viver.

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